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DESENHOS ANIMADOS Discursos sobre Ser Criança
de Ema Sofia Leitão
Prefácio de Cristina Ponte
Desenhos animados… que pais não os reconhecem apenas pelo som, aproveitando o tempo em que “estão a dar” para evitarem as crianças, as suas perguntas e curiosidades? Que educadores e professores não comentam as suas influências “nefastas” nas falas, nos comportamentos ou nos desenhos das crianças? Que criativos não se queixam da dificuldade de os fazer num país com um mercado pequeno como Portugal? E quantos investigadores e estudantes universitários não consideram este tema como secundário e “menor” nos estudos da comunicação, da sociologia ou da economia dos media?
Este livro contraria a tónica de desvalorização e recorre a uma escrita acessível a todos, para nos conduzir – a nós, “crescidos”, pais, educadores, professores, animadores culturais, cientistas sociais interessados pelo mundo e as culturas da infância - numa incursão pelo território (des)conhecido da animação. E a viagem que a Ema Sofia Leitão proporciona tem tudo para mostrar o quanto as “ideias feitas” marcam estes formatos e narrativas.
Pesquisar sobre crianças e com crianças foi o desafio conseguido deste trabalho.
Discursos do ser criança. Enfatizando o plural, o livro leva-nos a entrar nos “sentidos” da animação. A começar pelos próprios sentidos com que as animações apresentam as crianças, que nelas são protagonistas. As imagens de infância e os discursos de ser criança que atravessam os desenhos animados são aqui evidenciados numa linha condutora que não deixa de nos surpreender e de nos apetrechar para olhares mais críticos e menos generalistas. A continuar na atenção à intervenção activa das crianças – também plurais nas suas diferenças de idade, de género, de etnia, de contextos de vida – nos modos como se apropriam dos conteúdos e das formas e propõem novos sentidos. Nos modos também como neste estudo são participantes na própria investigação e realizam tarefas como a de “criar desenhos animados”, para si mesmas e para outras.
O livro, com base numa investigação de doutoramento realizada pela autora na Universidade de Cardiff e orientada por uma das maiores referências internacionais em análise de programas de televisão para crianças, Maire Messenger-Davies, apoia-se numa análise a três níveis, que incorpora não só a perspectiva dos criativos e das crianças mas também os conteúdos dos textos, numa proposta de leitura semiótica acessível a não especialistas na matéria.
Os primeiros capítulos enquadram de forma sólida o ambiente social em que se exprime hoje a infância, marcado pela Convenção dos Direitos da Criança, das Nações Unidas, e onde o artigo 17º sublinha a função dos media em assegurar materiais de fontes e origens culturais diversas. Percorrem-se os conceitos da criança não só enquanto público com necessidades especiais, mas também com competências – e o “paradigma da competência” (p. 34) sustenta aqui uma metodologia que dá voz às crianças e faz delas parceiras de pesquisa.
Encontram-se também aqui linhas preciosas do que a investigação tem revelado sobre os usos da televisão por crianças, levantando questões sobre o acesso à literacia, o impacto dos contextos sociais, as variações nas características apreciadas por crianças de diferentes idades e sexo. A combinar com linhas da Sociologia e da Economia, juntam-se contributos da Psicologia Cognitiva, incidindo sobre os processos mentais que ocorrem na produção de sentido (na leitura) e na “necessidade de a programação televisiva ser pensada segundo necessidades de diversos públicos”, como sublinha Ema Sofia Leitão (p. 83).
O holofote sobre o texto animado e sobre as condições de circulação contemporâneas, marcadas pela globalização dos mercados e dos consumos e colocando questões como a defesa de “especificidades culturais”, abre perspectivas de leitura destes programas particularmente interessantes para um debate sobre culturas, contrariando clichés apressados, como os que apresentam a globalização apenas como forma de imperialismo cultural. Como escreve a autora, a globalização “é também um meio para circulação de múltiplos discursos culturais, desde que respeitada a diversidade dos conteúdos” (p. 125), questionando o estreitamento da “especificidade cultural” a aspectos do folclore e do passado histórico de um país, dado por adquirido e partilhado pelas crianças.
Os capítulos finais, onde Ema Sofia Leitão apresenta os modos como conduziu a investigação, estimulam de forma particularmente incisiva o nosso olhar sobre estes programas, fornecendo instrumentos de análise e leitura destes programas – e de outros. São assim, nessa medida, ferramentas úteis para uma literacia televisiva.
As crianças participantes na pesquisa, com as tarefas de criar e de criticar o desenho animado, revelam a sua linguagem e as suas competências comunicativas, muito mais do que o inquérito de perguntas fechadas o permite, o que também constitui um desafio para um programa de investigação com crianças. Também estimulam linhas de educação para os media, tão necessárias em contextos onde a produção de conteúdos se encontra facilitada e onde a discussão de projectos pode ancorar questões de ordem cívica e ética, que acompanham e ultrapassam o conhecimento da tecnologia.
A exploração de quatro momentos de animação, duas séries japonesas e duas séries de animação marcadas pela especificidade cultural – uma delas portuguesa – que Ema Sofia Leitão realiza permite-lhe também identificar uma particularidade forte neste formato, apelativa, a “criança em demanda” (p. 169), e levá-la a sublinhar como “mais do que a diferença, é a semelhança o aspecto marcante na forma como os criativos da animação constroem os públicos infantis” (p. 191).
As notas finais são mais do que conclusões do trabalho apresentado, apontam de forma incisiva desafios não só a programadores e criativos de programas para crianças, mas também a educadores, pais e cidadãos que fazem da defesa dos direitos da criança uma questão de cidadania, e abrangem nessa medida tanto os direitos de protecção, como de provisão e de participação.
Uma obra a juntar a outras que se têm publicado recentemente sobre a produção televisiva para crianças no nosso país, onde destaco os contributos de Sara Pereira, da Universidade do Minho. Alarga-se o conhecimento deste campo, com peso considerável na economia dos media e da infância a uma escala mundial, cresce a biblioteca em estudos de infância e televisão.
Esta é uma leitura que nos ajuda a todos – cidadãos espectadores – a olhar de forma mais atenta para o que aparece nos ecrãs, e como se realiza ou não a diversidade – de estéticas, de personagens, de falas, de origens, de mundos. Obrigada, Sofia, por a teres realizado.
Cristina Ponte
Universidade Nova de Lisboa
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Manual Para Pais cujos Filhos Vêem demasiada Televisão
de Serge Tisseron
3º Volume da colecção A Construção do Olhar, das Edições 70
Prefácio de Daniel Sampaio
OS CONTOS DE FADAS DO SÉCULO XXI
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Manual Para Pais cujos Filhos Vêem demasiada Televisão
SERGE TISSERON
Perguntas de Brigitte Canuel
3º Volume da Colecção A Construção do Olhar, das Edições 70
Capítulo I
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A CONSTRUÇÃO DO OLHAR uma colecção das Edições 70
A Construção do Olhar é o nome de uma nova colecção de livros sobre as imagens, das Edições 70. A colecção procurará dar seguimento à concepção que as imagens se completam com as palavras: para falar de uma imagem são precisas mil palavras, diz-se. Esta é a razão maior para a colecção: publicar palavras sobre as imagens, os olhares, os ecrãs, os modos de as fabricar, de as ler e usar. Palavras que possam ser contributos para construir o olhar, para nos revelar modos de ver. Palavras que se ambiciona nos ajudem a não perecer num tsunami de imagens: as imagens, sem palavras e sem outras formas de apropriação e expressão, podem ter efeitos devastadores.
Começámos com A Fábrica do Olhar, de Monique Sicard (2006), |
seguido do Indústrias Culturais, de Rogério Santos |
e de Manual para Pais cujos Filhos Vêem Demasiada Televisão, de Serge Tisseron, ambos saídos em 2007. |
MAIS LIVROS
Houve modificação, ainda com datas a definir, mas para 2008. Dois livros sobre jornalismo, das Edições 70, fora de colecção estão na fase final de execução. O autor de um é Daniel Okrent, primeiro provedor do NYT. O segundo, de minha autoria, colige as crónicas recentes do DN (2004-2007).
A capa aqui publicada respeita ao livro saído nos EUA em 2006. |
A FÁBRICA DO OLHAR Prefácio
AS IMAGENS E NÓS A Fábrica do Olhar
No dia 17 de Outubro foi apresentado o livro A Fábrica do Olhar: Imagens de Ciência e Aparelhos de Visão, século XV-XX, da autoria de Monique Sicard. Por ser o primeiro livro da colecção das Edições 70 que vou dirigir e por manter com o livro uma relação de grande empatia, fiz o prefácio da obra, que aqui se divulga.
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2006
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ECRÃS EM MUDANÇA Publicado em 2006
Dos jovens na Internet ao provedor de televisão
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(se clicar em Publicado em 2006 tem acesso á introdução do livro)
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A CONSTRUÇÃO DO OLHAR - 2005
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1001 RAZÕES PARA GOSTAR DE PORTUGAL 2005

Livro publicado pela Texto Editores, em 2005.
Este livro é um elogio aos portugueses que labutam, acreditam, criam. Aos que pensam que o país, velho de História, se pode renovar pela seriedade, pelo empenho, pelo profissionalismo, mas também pelo humor, pela alegria de viver. E de fruir e partilhar, as grandes, como as pequenas coisas.
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MOVIMENTOS DAS IMAGENS - 2002
ABRANTES. J. C., Movimentos das imagens, In As ciências da comunicação na viragem do século, Lisboa, Vega, 2002.
Texto apresentado em 1999 ao Congresso da Sopcom
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José Carlos Abrantes foi Provedor dos Leitores do jornal Diário de Notícias (2004-2007). Dirige também uma colecção sobre imagem, nas edições 70.
Foi professor de Teoria e História da Imagem na Universidade de Coimbra. É sócio fundador da Sociedade Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM) e do Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ), e tem também organizado debates públicos e conferências sobre os media, nomeadamente a televisão, o jornalismo, o cinema, as imagens e os blogues.
Últimas obras publicadas
Abrantes, J.C. e Dayan, D. (Coords), Televisão: Das Audiências aos Públicos, Lisboa, Livros Horizonte/Cimj, 2006
Abrantes, J.C., (Coord), Ecrãs em mudança: dos jovens na internet ao provedor de televisão, Lisboa, Livros Horizonte/Cimj, 2006
Abrantes, J.C., (Coord), A construção do olhar, Lisboa, Livros Horizonte/Cimj, 2005
O seu site: José Carlos Abrantes
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