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(PUBLI)CITAR Crónica de 6 de Março de 2006
A notícia "Recifes artificiais para salvar mar da Calheta", publicada no dia 1 de Março, não passou despercebida a João Paulo Meneses, jornalista da TSF e autor do Blogouve-se. “ Não está em causa o interesse da notícia, mas há duas coisas no mínimo estranhas: - é publicada uma foto dos recifes artificiais (disponível na ligação on line) que é pura publicidade à empresa promotora (sob a capa do famoso «direitos reservados»); aliás, a publicidade à empresa é absolutamente despropositada e gratuita, numa foto tirada debaixo de água; - Último parágrafo da referida notícia: «Enquadrada na política de inovação constante do Grupo Mota-Engil, a CPTP apresenta-se como "uma moderna e versátil frota de equipamentos sem paralelo em Portugal", que desde 1930 marca presença em obras portuárias de referência» (sublinhado meu)." O editor das Cidades, João Pedro Fonseca, deu os seguintes esclarecimentos, incorporando a resposta da jornalista, Lília Bernardes. “A foto não é, de facto, a melhor. Sendo uma obra debaixo do mar, a única forma de ter uma foto era através de quem fez a obra. Havia outra, mas mostrava uma grua no mar. Sem qualquer interesse, nem adiantava nada ao leitor. Quanto ao texto, posso adiantar a justificação da redactora: «Por lapso foi escolhida uma fotografia quando existia outra em alternativa, completamente inócua. Como autora da notícia assumo o erro na utilização da adjectivação. Contudo, não considero que esse pormenor, que lamento, possa ser considerado "publicidade" uma vez que estamos a falar de um Grupo que já tinha ganho o concurso público para a construção dos recifes artificiais não só na Madeira como noutras partes do Continente, com base nos parâmetros exigidos para este tipo de construção, um facto provado ao longo de várias décadas.» Das respostas se infere que era preferível que o tom do texto e da imagem tivessem sido outros. Vejamos a foto. Segundo o editor, não é a melhor. Uma foto para ser publicada num jornal de referência não pode ser a primeira imagem que uma empresa ofereça ao jornal para ilustrar a notícia. Compreende-se que as empresas coloquem junto dos media as imagens que lhes sejam mais favoráveis. Mas ao jornalista e ao editor cabe um papel de triagem. Há sempre alternativas na ilustração das notícias. Desde logo a de publicar sem imagem se não houver uma adequada. E há outras escolhas. Há fotojornalistas que são pagos pelo jornal e que dão uma visão autónoma, livre, integrada em escolhas editoriais. Há ainda bancos de dados de imagem. E ilustradores. E há também empresas ou instituições que facultarão imagens sem terem o seu nome na mira da objectiva. O jornalismo, afinal, também tem a ver com a visão dos empresários e de empresas que gerem a sua imagem. Esta garantia da independência da imprensa em relação ao poder político ou económico é uma dos traços que fomenta a confiança entre o leitor e o jornal que compra. Se esta se rompe deixa de haver leitor. Para cimentar esta relação de confiança, o jornalismo tem, quando necessário, de rejeitar informação que comprometa a sua independência. Acresce que o texto é construído com recurso excessivo a números e siglas por extenso que retiram vivacidade e clareza ao assunto. O lead da notícia, ou frase de abertura, não é um exemplo de clareza nem de agilidade da escrita. : “A Companhia de Trabalhos Portuários (CPTP) lidera o consórcio que a construção da Empreitada de Construção, Instalação e Sinalização Marítima de uma Rede Artificial na Zona Oeste da ilha da Madeira, designado Recife Artificial da Ponta Pequena, no concelho da Calheta.” Acresce que a autora da notícia reconhece ter havido erro no uso dos adjectivos. E reconhece bem. De facto, as frases sublinhadas pelo leitor "uma moderna e versátil frota de equipamentos sem paralelo em Portugal", que desde 1930 marca presença em obras portuárias de referência» poderiam ter saído do sítio institucional da empresa ou de uma publirreportagem. Num site brasileiro sobre este género híbrido pode ler-se: “Seduzir e convencer os leitores é o objetivo da publireportagem a fim de satisfazer o pedido de informação dos consumidores.” Convenhamos que fazer notícias tem outra lógica. Em nome da confiança.
BLOCO NOTAS
presidente.... O leitor F. Cristóvão Ricardo escreveu a provedor: “Não sou polícia da língua, (...) mas fico arrepiado quando leio no DN (e logo no DN!) erros continuados e generalizados. É o caso da palavra “presidente”, escrita Presidente. Hoje, agora, o DN noticia que o “Presidente” Pedro Pires foi reeleito “Presidente”. Mais adiante, referem-se aos homens-chave do “Presidente da República”. (...) Basta! A lei que rege a ortografia é o Decreto 35228 de 1945, codificado no “Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa” do Professor Rebelo Gonçalves. Aí se estipula que se escrevem com minúsculas os nomes de cargos (rei, príncipe, embaixador, papa, presidente, etc, etc.). Assim escreve-se: (...)Jorge Sampaio, presidente da República, Sócrates, primeiro-ministro, (...) , etc., etc. Quaisquer destes ou outros cargos, só têm maíuscula quando integrados em combinações axionómicas (Senhor, Excelência, Sua Majestade, etc). Transcrevo: “Sua excelência ou S. Ex.ª o Presidente da República (“Presidente” e não “presidente” devido à ligação com o axiónimo Sua Excelência). E assim, papa, mas S.S. o Papa, (..), etc. “
...e Presidente A editoria Fecho da Edição respondeu através de João Galamba de Oliveira. “No DN está definido há muito o critério, seguido comummente pela Imprensa, de se escrever com maiúscula Presidente, Rei, Rainha, Imperador, Papa, Sultão, Emir, etc., quando no desempenho activo da função de Chefe do Estado. O Presidente da República é, em si, uma instituição. Já um antigo presidente ou rei surgem com a inicial em minúscula. Pensamos que a maiúscula inicial é utilizada por razões de especial deferência relativamente a quem representa e exerce unipessoalmente o mais alto cargo de soberania de um Estado. É um critério, discutível mas legítimo, que pretende sublinhar o particular relevo do cargo, que, nomeadamente em Portugal, implica também a chefia suprema das forças armadas e a mais elevada magistratura da Nação.”(...) O leitor poderá ter razão formalmente, mas a explicação adequa-se ao sentimento de respeito que os cidadãos nutrem pelo Presidente da República. E ajusta-se também à liberdade de manobra que um jornal pode ter na construção ou adaptação de algumas regras da escrita.
Escreva Escreva sobre a informação do DN para provedor2006@dn.pt: “A principal missão do provedor dos leitores consiste em atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e em proceder à análise regular do jornal, formulando críticas e recomendações. O provedor exercerá, simultaneamente, de uma forma genérica, a crítica do funcionamento e do discurso dos media.” Do Estatuto do Provedor dos Leitores do DN
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